Emoções x Sentimentos

Atualizado: 31 de mai.


Sair das camadas emocionais, por meio das mesmas - levando-as ao sentimento - é ao meu ver, a principal função do trato psicoemocional.


por Milene S.


Emoção e sentimento podem ser palavras vistas como sinônimos. Em outras tantas contextualizações tem atribuições diferentes, de acordo com cada elaboração teórica.

Na etimologia, emoção vem de emovere que quer dizer abalo, deslocamento. Sentimento, de sentimentum ou sentire - sentir, afeição. Já o ressentimento com o prefixo "re" é o sentir para trás.

Mas, o que pode de fato pode diferenciar uma emoção de um sentimento e contribuir com nosso "desenvolvimento emocional"?

Existem quatro emoções (ou também chamados sentimentos) básicos: medo, raiva, tristeza, alegria, como existem os quatro elementos. Aqui vou chamá-los por emoções mesmo. Da mistura dessas emoções ou de graus diferentes, e também do resultado da repressão dessas emoções temos todo tipo de sensações: remorso, rejeição, pena, mágoas, rancores, ciúmes, vingança, preocupação, ansiedade, traição, culpa, irritação, desconfiança, orgulho, avareza, etc. Além das emoções mais polarizadas como ira, pânico, depressão, paixão e euforia.


É por meio das emoções que a energia se mobiliza - recua (medo), avança/energiza (raiva), vai para baixo (tristeza) ou sobe (alegria). Elas não são boas ou más, são o que são, são neutras.

As emoções que causam sofrimento são as derivadas de "fixação", congelamento e autocentramento. São emoções que permanecem concluídas, ligadas ao passado.


As emoções são energias em movimento temporário. Como ondas, elas vem, vão, retornam, se vão novamente... Quando elas permanecem como que grudadas, a estamos fixando através do pensamento que permanece no julgamento unilateral. E nessa fixação, também podemos estar negando-as/reprimindo por considerá-las más... ou embarcando nelas, construindo narrativas pessoais, autocentradas.


Precisamos de espaço - para que as emoções se liberem, dando passagem ao sentimento. No espaço, já estamos trabalhando com a abertura, amplidão, acolhimento. Espaço é amor, compaixão - sentimento! Dessa forma, as emoções são vistas como amigas, como pontos de observação, e propiciadoras de sentimentos.


Emoções requerem muito menos de análises, que as fazem continuar girando em mais e mais autocentramento. Requerem espaço!

E como damos espaço? Olhando-as, sem rejeitá-las, mas nem tomá-las como pessoais. Se relacionando, fazendo amizade. E para as emoções mais polarizadas, revendo situações passadas, investigando e compreendendo sob novas perspectivas, descongelando.


Não, não é fácil! Nosso apego nas "nossas" histórias, sobre quem pensamos ser é grande, enorme! E, portanto, um desafio constante e não linear para quem embarca na aventura. É um vale! Cheio de subidas, descidas, paradas, recuos, pedregulhos...


Mas, na disposição do trabalho compassivo, é por meio da relação com as quatro energias/luminosidades - raiva, tristeza, alegria e medo (e tudo o que delas deriva), os auxílios que nos conduzem à fonte, seguindo no fluxo mais primordial e transformador das mesmas!












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